SUS adota novo exame para detectar câncer de intestino antes dos sintomas
Medida visa alcançar 40 milhões de brasileiros e detectar precocemente o segundo tumor mais frequente no país
O Ministério da Saúde oficializou a inclusão de um novo protocolo nacional no Sistema Único de Saúde (SUS) focado no rastreamento do câncer colorretal. A partir de agora, o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) assume o posto de exame de referência na rede pública para homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas. De acordo com dados do governo federal, a eficácia do FIT é alta, registrando uma sensibilidade que varia entre 85% e 92% na identificação de alterações intestinais.
A nova diretriz clínica tem o potencial de estender as ações de prevenção e diagnóstico precoce a um contingente superior a 40 milhões de cidadãos brasileiros. O avanço é considerado estratégico pela pasta, visto que o câncer de cólon e reto ocupa a segunda posição entre os tipos de tumores mais comuns no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Projeções recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam para um cenário alarmante, com a previsão de 53,8 mil novos diagnósticos anuais para o triênio vigente.
A urgência por metodologias eficientes de triagem é reforçada por dados científicos alarmantes, que projetam um salto de quase 300% na taxa de mortalidade em decorrência da doença até o fim desta década. Especialistas explicam que o principal fator para a alta letalidade reside no diagnóstico tardio, ocorrendo geralmente quando o tumor já se encontra em estágio avançado. A implementação de um rastreamento organizado pelo SUS busca romper esse ciclo, identificando a enfermidade antes que os sintomas clínicos se manifestem.
O funcionamento do FIT se baseia na análise laboratorial para detectar traços microscópicos de sangue humano nas fezes, indícios que podem revelar a presença de pólipos ou lesões pré-cancerígenas. O grande diferencial tecnológico em relação às antigas metodologias de sangue oculto é o uso de anticorpos específicos, o que elimina a necessidade de o paciente realizar dietas restritivas ou preparo intestinal complexo antes da coleta. O procedimento é simplificado: o cidadão retira um kit na unidade de saúde, realiza a coleta de uma única amostra no próprio domicílio e a devolve para análise.
Caso o teste aponte um resultado positivo para a presença de sangue, o paciente é encaminhado para a realização de exames complementares na rede pública. O principal desdobramento é a colonoscopia, procedimento tido como o padrão-ouro na medicina por permitir a visualização direta do intestino e a remoção imediata de pólipos detectados, interrompendo a evolução natural da doença. O novo protocolo recebeu o aval técnico da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) após ampla avaliação de especialistas da área.