Curso de habilitação de farmacêuticos na área da saúde mental será ofertado pelo CFF

Atribuições do profissional habilitados também foram regulamentadas

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Cerca de 25% da população é acometida por algum transtorno mental. Por isso, os profissionais de saúde devem estar cada vez mais preparados para lidar com pacientes que enfrentam problemas relacionados. Foi com base nesta realidade que o Conselho Federal de Farmácia (CFF) decidiu oferecer um curso que habilite os farmacêuticos para atuar nessa área. A pauta foi discutida na plenária do mês de fevereiro, que ocorreu entre os dias 19 e 21, em Brasília. Essa nova chance de habilitação deve ser disponibilizada de forma gratuita, assim que o curso for estruturado. 

De acordo com a coordenadora do Grupo de Trabalho sobre Saúde Mental do CFF, esses quadros podem ser equipados à condições como hipertensão, diabetes e outras comorbidades extremamente prevalentes nos diferentes pontos de atuação em saúde do farmacêutico. "Entendendo que essas condições são extremamente prevalentes e que nós temos uma rede organizada, a Rede de Atenção Psicossocial, que inclui diferentes níveis, como a atenção primária à saúde, a ação do farmacêutico torna-se essencial para prestar informações específicas necessárias sobre os medicamentos em uso, inclusive dentro das farmácias", observa Walleri Reis.

No uso de antidepressivo, seja para depressão ou transtorno ansioso, por exemplo, o medicamento traz mais reações adversas nos primeiros 15 dias e ainda não apresenta efeito. Então, esse período é o de maior taxa de abandono do tratamento, explica a especialista. "Porém, os efeitos do medicamento só são percebidos após quatro ou seis semanas de uso. Por isso a orientação do farmacêutico é indispensável para o sucesso do tratamento, inclusive para o manejo das reações adversas, como dores de cabeça e sono excessivo, o que evita que o paciente desista", afirma.

Outra integrante do Grupo de Trabalho, Bruna Wesler, do Conselho Regional de Farmácia de Santa Catarina (CRF-SC), destacou que a habilitação em saúde mental é extremamente importante para o farmacêutico e que ele precisa estar nessa área. "O uso de psicoativos vem crescendo nos últimos anos, principalmente após a pandemia. Muitas vezes, a atuação do farmacêutico na atenção básica ou na prevenção já contribui para que o paciente não chegue a um estágio de precisar do acompanhamento em uma reabilitação, por exemplo. O manejo na atenção básica, pode impedir que o paciente chegue a precisar ser atendido no Caps - Centro de Atenção Psicossocial", ressalta.

Com sua experiência em uma unidade de saúde de Santa Catarina, Bruna Wesler diz que onde há farmacêutico nesse manejo o atendimento, o cuidado, o planejamento e a atenção a esses pacientes tornam-se diferentes. "Esse contato permite gerar uma relação de confiança, um vínculo, que proporciona maior adesão ao tratamento. Por isso, precisamos ter essa habilitação e esse conhecimento mais aprofundado para fazer o manejo adequado", defendeu.

Na mesmo ensejo, o plenário do CFF aprovou a resolução que regulamenta as atividades do farmacêutico habilitado na prática do cuidado em saúde mental, prevendo os requisitos mínimos para atuar na área e todas as atribuições pertinentes neste contexto.

O curso

O curso será composto por 7 módulos mensais de 16 horas, com 8 horas de atividade avaliativa , totalizando 120 horas. "Essa grade deverá ser extensa por se tratar de conteúdos e condições que, muitas vezes, o farmacêutico não foi preparado para lidar. Estamos falando de condições que estamos descobrindo como síndrome de Burnout, que entrou recentemente na lista de DSM. Os últimos 20 anos para a saúde mental foram mais importantes do que os últimos 200", detalhou Walleri Reis.

Entre os objetivos de aprendizagem estão as diversas condições de doenças mentais, com a avaliação da parte de fisiopatologia, de farmacoterapia e como o farmacêutico pode propriamente acompanhar as pessoas acometidas por essas condições.