Aumento de casos de coqueluche no Brasil e no mundo acende alerta para importância da vacinação

Nota técnica da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) aborda riscos da doença, especialmente em bebês e crianças

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A coqueluche, doença respiratória altamente contagiosa, voltou a preocupar autoridades de saúde em todo o mundo, incluindo o Brasil. Também conhecida como "tosse comprida", é causada pela bactéria Bordetella pertussis e pode ser grave em bebês e crianças pequenas, com alto risco de hospitalização, complicações e óbito.

Para expor os dados sobre a infecção, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), elaboraram a nota técnica conjunta "Atualização em Coqueluche", divulgada no início de fevereiro. O documento mostra um cenário alarmante e aponta para a importância da imunização, principal forma de prevenir o aumento no número de casos.

De acordo com o levantamento, nos últimos dois anos, diversos países registraram um aumento significativo no número de casos e óbitos em decorrência da coqueluche, como Colômbia, Reino Unido, Austrália, China e Estados Unidos. No Brasil, o cenário passou a ser mais preocupante em 2024.

Segundo o Ministério da Saúde, de janeiro de 2024 até 10 de janeiro de 2025, foram notificados 6.504 casos de coqueluche no país, com 29 óbitos confirmados. As faixas etárias mais afetadas são crianças menores de 1 ano e adolescentes. Os estados com maior número de notificações são Paraná, São Paulo, Minas Gerais,  Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

Transmissão, sinais e sintomas

A coqueluche é transmitida de pessoa a pessoa, por meio de gotículas de saliva eliminadas durante a fala, tosse ou espirro. O período de incubação da doença, ocorre em média, de 5 a 10 dias, e o período de transmissão se estende desde o quinto dia após a exposição até três semanas após o início da fase de tosse.

Os sintomas podem variar dependendo da idade e do estado vacinal do paciente. Em bebês menores de 6 meses, a doença pode se manifestar com tosse de qualquer tipo, acompanhada de tosse paroxística (tosse súbita e incontrolável), guincho inspiratório (som agudo ao respirar após a tosse), vômitos pós-tosse, cianose (pele azulada), apneia (parada respiratória) e engasgos. Em crianças acima de 6 meses e adultos, a tosse persistente por mais de 14 dias, associada a tosse paroxística, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse, são os principais sintomas.

Vacinação é a principal forma de prevenir

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a coqueluche. No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece vacinas gratuitas para crianças, gestantes e profissionais da saúde.

  • Crianças: o esquema de vacinação consiste em três doses da vacina penta (difteria, tétano, pertussis, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b) aos 2, 4 e 6 meses de idade, e dois reforços com a vacina DTP (difteria, tétano e pertussis) aos 15 meses e aos 4 anos de idade.
  • Gestantes: a vacina dTpa (difteria, tétano e pertussis acelular) é recomendada a partir da 20ª semana de gestação, em cada gravidez. A vacinação da gestante é fundamental para proteger o bebê nos primeiros meses de vida, quando ele ainda não pode ser vacinado.
  • Trabalhadores da saúde: a vacina dTpa é recomendada a cada 10 anos para profissionais da saúde que atuam em serviços de saúde públicos e privados, ambulatorial e hospitalar, com atendimento em ginecologia e obstetrícia, pediatria, parto e pós-parto, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e UTI neonatal, UCI Cangurue assemelhadas; bem como berçários (baixo, médio e alto risco).
  • Profissionais que atuam como doula, acompanhando a gestante durante o período de gravidez, parto e período pós-parto;
  • Trabalhadores que atuam em berçários e creches com atendimento de crianças até 4 anos de idade

Além da vacinação, outras medidas podem ajudar a prevenir a coqueluche, como:

  • Evitar contato com pessoas doentes;
  • Lavar as mãos com frequência;
  • Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;
  • Manter os ambientes ventilados.

Tratamento

O tratamento da coqueluche é feito com antimicrobianos, que devem ser administrados o mais rápido possível para reduzir o período de transmissão da doença e prevenir complicações. A quimioprofilaxia (uso de antibióticos para prevenir a doença) é indicada para pessoas que tiveram contato próximo com casos confirmados de coqueluche.

Notificação

Ao detectar um caso suspeito ou confirmado, a notificação deve ser realizada imediatamente (em até 24 horas). A agilidade é essencial para a investigação epidemiológica oportuna. A notificação deve ser enviada à vigilância epidemiológica local do município, para que as ações comecem a ser desencadeadas.

Caso suspeito

  • Crianças menores de 6 meses: todo indivíduo, independentemente do estado vacinal, que apresente tosse de qualquer tipo há dez dias ou mais, associada a um ou mais dos seguintes sintomas: tosse paroxística, tosse súbita incontrolável, com tossidas rápidas e curtas (cinco a dez) em uma única expiração, guincho inspiratório, vômitos pós-tosse, cianose, apneia e engasgo;
  • A partir dos 6 meses de idade: todo indivíduo que, independentemente do estado vacinal, apresente tosse de qualquer tipo há 14 dias ou mais, associada a um ou mais dos seguintes sintomas: tosse paroxística, tosse súbita incontrolável, com tossidas rápidas e curtas (cinco a dez) em uma única expiração, guincho inspiratório, vômitos pós-tosse.

Além disso, acrescenta-se à condição de caso suspeito todo indivíduo que apresente tosse, em qualquer período, com história de contato próximo com caso confirmado de coqueluche pelo critério laboratorial (vínculo epidemiológico).

Clique aqui e acesse a nota técnica completa da Sbim.