Ministro do Trabalho diz ser possível aprovar fim da escala 6x1 em ano de eleição

CFF defende melhores condições de trabalho e prepara mobilização nacional pelo piso dos farmacêuticos

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O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quarta-feira (7) que considera possível aprovar o fim da escala 6x1 ainda em 2026, apesar do ano eleitoral. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, quando classificou a atual jornada como “cruel”, sobretudo para mulheres que enfrentam duplas e triplas jornadas.

“Asseguro que é plenamente possível fazer. É plenamente possível dizer a toda atividade econômica do Brasil que é possível acabar com a 6x1 mantendo as necessidades econômicas do país”, disse o ministro. Para que a proposta avance, ele ressaltou que será necessária uma grande mobilização nacional dos trabalhadores, pressionando o Congresso. Atualmente, dois textos tratam do tema: um projeto aprovado pela CCJ do Senado que limita a jornada a até oito horas diárias e 36 horas semanais distribuídas em cinco dias; e uma PEC em discussão na Câmara que propõe semana de quatro dias e carga máxima de 36 horas.

O debate reacendeu as reivindicações das categorias mais expostas à exaustão laboral, como os farmacêuticos. O presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter Jorge João, afirma que a discussão sobre jornada é fundamental, mas lembra que a pauta do piso salarial da categoria é ainda mais urgente. “Os farmacêuticos há décadas trabalham sob condições que não dialogam com a complexidade e a responsabilidade da profissão. A luta pela revisão da jornada é legítima, mas não podemos perder de vista o essencial: o Brasil precisa aprovar o piso profissional dos farmacêuticos. E nós, no Conselho Federal, estamos preparando a maior mobilização nacional possível para que esse assunto deixe de ser protelado”, declarou.

Walter Jorge João também reforçou que o CFF continuará atuando institucionalmente em todas as frentes possíveis para assegurar avanços. “Somos defensores firmes de melhores condições de trabalho. A jornada é um capítulo importante, mas a valorização real passa pelo reconhecimento financeiro mínimo da profissão. É um assunto mais que urgente”, afirmou.

Ao comentar os limites da reforma trabalhista em discussão, Luiz Marinho afirmou ver espaço para a redução da jornada máxima atual para 40 horas semanais, com o fim da escala 6x1, mas ponderou que mudanças mais profundas precisarão de negociações setoriais. “Não vejo o Brasil caminhar rapidamente para 36 horas semanais. Falar de 44 para 36 em uma tacada só não seria salutar e sustentável”, disse. Durante a entrevista, o ministro também negou intenção de deixar o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.