Anvisa amplia uso do Mounjaro para crianças a partir de 10 anos com diabetes tipo 2

Decisão mantém demais indicações restritas a adultos e não altera status do medicamento no SUS

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação do uso do medicamento Mounjaro para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças a partir de 10 anos. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (22) e representa uma atualização na indicação terapêutica, que antes era restrita a pacientes adultos.

Segundo a agência reguladora, a mudança diz respeito exclusivamente à ampliação da população-alvo para o tratamento do diabetes tipo 2. As demais indicações do medicamento permanecem inalteradas e continuam aprovadas apenas para uso em adultos. O princípio ativo do Mounjaro é a tirzepatida, substância que atua no controle da glicemia por meio de mecanismos hormonais.

O medicamento integra um grupo popularmente conhecido como “canetas emagrecedoras”, embora sua indicação principal seja o tratamento do diabetes tipo 2. A doença é caracterizada por níveis elevados de glicose no sangue, condição chamada hiperglicemia, geralmente associada à produção insuficiente ou à ação inadequada da insulina, hormônio responsável por regular o açúcar no organismo.

Sem controle adequado, o diabetes pode levar a complicações graves, como perda de visão, insuficiência renal e amputações. Por outro lado, o uso de medicamentos para controle glicêmico exige monitoramento rigoroso, já que pode provocar hipoglicemia, quadro de baixa concentração de açúcar no sangue que pode causar desmaios e outros sintomas agudos.

Apesar da ampliação aprovada pela Anvisa, o medicamento ainda não passou por avaliação para incorporação no Sistema Único de Saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS não recebeu, até o momento, pedido de análise para a tirzepatida.

Dados científicos reforçam a relevância do tema. Um estudo publicado em 2019 na revista Pediatric Diabetes estimou que cerca de 213 mil adolescentes vivem com diabetes tipo 2 no Brasil, além de aproximadamente 1,5 milhão com pré-diabetes, cenário que evidencia a crescente incidência da doença em faixas etárias mais jovens.