Farmacêuticos ganham espaço nas conferências de saúde e podem influenciar decisões do SUS

Participação nas etapas municipais é oportunidade para fortalecer a assistência farmacêutica e levar propostas para todo o país

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As etapas municipais preparatórias para a 18ª Conferência Nacional de Saúde já estão em andamento em todo o país e seguem até dia 4 de julho. Esses encontros são fundamentais para garantir a participação popular na construção das políticas públicas de saúde, reunindo trabalhadores, gestores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Conferência Nacional de Saúde é um dos principais espaços democráticos de debate e definição de diretrizes para o SUS e acontece a cada quatro anos. Antes da etapa nacional, são realizadas conferências municipais e estaduais, que têm como objetivo discutir as necessidades locais e eleger propostas e delegados que representarão cada território nas fases seguintes.

A farmacêutica Veridiana Ribeiro da Silva atua como representante do Conselho Federal de Farmácia (CFF) no Conselho Nacional de Saúde e compõe a Comissão Organizadora da 18ª Conferência Nacional de Saúde. Ela explica que os farmacêuticos que atuam no SUS têm papel estratégico na assistência à saúde, especialmente na promoção do uso racional de medicamentos, na atenção básica e na gestão da assistência farmacêutica.

Existem farmacêuticos conselheiros e/ou suplentes nos Conselhos Municipais de Saúde (CMS), Conselhos Estaduais de Saúde (CES) e no CNS. “Além de contribuir com a construção de diretrizes que impactam diretamente o cotidiano de trabalho, os farmacêuticos podem defender políticas públicas voltadas à assistência farmacêutica, propor melhorias no acesso a medicamentos e lutar pelo fortalecimento da atuação clínica no SUS”, observa Veridiana.

A conselheira municipal de saúde por Goiânia, Flaviana Alves Barbosa acrescenta: “A presença dos farmacêuticos nesses debates também garante que as demandas específicas da área sejam consideradas nas decisões que orientarão o sistema de saúde nos próximos anos”.

O que são as etapas municipais?

As etapas municipais consistem em encontros organizados pelas secretarias municipais de saúde e conselhos de saúde. Nelas, são debatidos temas prioritários para o fortalecimento do SUS, com base na realidade de cada município. Ao final, são aprovadas propostas que seguem para as etapas estaduais e, posteriormente, para a conferência nacional.

O cronograma de realização da 18ª Conferência Nacional de Saúde de 2027, com o tema ‘Saúde, Democracia, Soberania e SUS: cuidar do povo é cuidar do Brasil”, teve início em março deste ano:

I - Municipais, de 16 de março de 2026 a 4 de julho de 2026
II - Estadual, Distrital e Livres, no período de janeiro até abril de 2027;
III - Nacional, Brasília/DF, em julho de 2027

Durante esses encontros que antecedem a etapa nacional, são eleitos os delegados que representarão os diferentes segmentos — trabalhadores da saúde, gestores e usuários, é feita. 

Como participar das etapas municipais?

A etapa municipal é a porta de entrada para que o profissional se envolva nas demais. Para participar, os farmacêuticos devem:
1.⁠ ⁠Buscar informações locais
Acompanhar os canais oficiais da prefeitura, da secretaria municipal de saúde e do conselho municipal de saúde para saber datas, locais e formato das conferências.
2.⁠ ⁠Realizar inscrição
Em muitos municípios, é necessário fazer inscrição prévia como participante ou delegado.
3.⁠ ⁠Articular-se com a categoria
Participar de reuniões com outros farmacêuticos, sindicatos ou conselhos profissionais para alinhar propostas e fortalecer a representatividade.
4.⁠ ⁠Elaborar propostas
Levar sugestões concretas relacionadas à assistência farmacêutica, como ampliação de serviços, qualificação profissional e melhoria da gestão de medicamentos.
5.⁠ ⁠Candidatar-se como delegado
Caso desejem participar das próximas etapas (estadual e nacional), os farmacêuticos podem se candidatar como delegados durante a conferência municipal.

A participação ativa dos farmacêuticos nas etapas municipais fortalece o SUS e amplia o reconhecimento da profissão dentro das políticas públicas de saúde. Trata-se de uma oportunidade concreta de influenciar decisões, compartilhar experiências do cotidiano e contribuir para um sistema mais eficiente, equitativo e centrado nas necessidades da população.